Talão de Cheque – O álibi perfeito para negar sua entrega

Ainda é precipitado dizer que o cheque está prestes a se aposentar dando assim lugar a meios de pagamento mais modernos. A Federação dos Bancos informa que a quantidade de cheques emitido entre 2002 e 2012 caiu 12%, frente ao crescimento anual dos cartões acima de 10%. Mas um fato chama atenção quanto ao uso de cheques. O Banco Central informa que entre 2006 e 2011 os valores médios dos cheques subiram 86%, passando de R$ 940,00 para R$ 1.750,00, sinalizando que ele deixa de ser uma ferramenta de uso diário frente a pequenos compromissos, e passa a ser um instrumento de crédito principalmente pelos pequenos e micros empresários, movimentando ainda fortemente a economia local.

A busca de um bom álibi: Em todas as profissões sempre há situações complexas e corriqueiras para as quais precisamos de muito jogo de cintura. Como gerente de uma carteira de clientes as duas mais desgastantes situações são a de negar um crédito ou negar a entrega de talão de cheque. Negar o crédito até é consistente, pois o gerente pode alegar inúmeros argumentos técnicos, e indiretamente evita potencializar sua inadimplência. Mas, apesar das conhecidas conseqüências como o desgaste de imagem tanto para o “banco” como para o emissor de cheque sem fundos, não podemos esquecer também que é hiper delicado negar a entrega de talão de cheque a um cliente, pois em muitos momentos o cliente pode sim ter saldo em conta corrente, ou nunca ter dados cheques sem fundos ou feito adiantamento a depositantes. Então quais seriam os motivos técnicos que o gerente iria utilizar para negar a entrega do talão de cheque? Falta-lhe um bom álibi.

Atitude e Álibi: Precisamos que as Singulares sejam ainda mais cautelosas frente a entrega de talão de cheques para àqueles clientes que, mesmo tendo limite de cheque especial, demonstram baixa reciprocidade ou mesmo uso constante de cheque especial ou irrisórios saldos médios positivos frente a seu potencial. Este é o objetivo deste artigo. Agregar mais ponderações frente a gestão e também álibis comerciais para que o Cooperativismo de Crédito aja de forma cautelosa na entrega de talão de cheque. A perfeita gestão deste tema em uma Singular precede da releitura de nossos recentes artigos postados em nosso site: Talão de Cheque - Risco de Imagem às Singulares e Talão de Cheque – Complacente ou Defensável.

Pela exposição destes motivos e dos ricos conteúdos abordados nos artigos acima mencionados, é urgente adotarmos ainda mais restrições na entrega de talões de cheques, já que, por lei devemos dar um movimentador financeiro gratuitamente, e este pode ser o cartão de débito, o qual faz consulta prévia, e havendo saldo ou limite, seu uso permite ganhos e nenhum risco. Para clientes recém chegados ou que já sinalizam problemas, acreditamos ser uma excelente pratica atrelar a entrega do talão a um cadastro atualizado, existência de reciprocidade e de um saldo médio mínimo (ex R$ 500,00) a ser determinado pela “política” formal do Conta Corrente. Vale aqui lembrar que no site do Banco Central, na lista de perguntas freqüentes da população (FAQ - Cheques) ele responde: O banco é obrigado a fornecer talão de cheques a todo correntista? Não. Os bancos devem estabelecer as condições, que devem constar do contrato de abertura de conta corrente, para o fornecimento de cheques para seus clientes. Essas condições devem ser estabelecidas com base, entre outros, em critérios relacionados à suficiência de saldo, restrições cadastrais, histórico de práticas e ocorrências na utilização de cheques, estoque de folhas de cheque em poder do correntista, registro no Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF) e regularidade dos dados e documentos de identificação do correntista.

Para ainda mais subsídios na gestão eficaz deste tema, indicamos a leitura do artigo: O risco das contas espontâneas no Cooperativismo de Crédito. Nele vemos o risco de crédito que estamos sujeitos ao abrir contas e dar limites e talão de cheques a novos clientes que nos procuraram de forma autônoma, ou seja, não foram frutos de reais conquistas de nossa força de venda. Portanto por que tanta pressa na abertura de conta e entrega de talão para estes clientes pára-quedistas?  

Reflexão final: Precisamos formalizar estes e novos álibis para nossos guerreiros comerciais que estão diariamente toureando este delicado tema. Assim terão menor exposição comercial e social frente aos clientes “desnecessários” e mais tempo para investir frente aos seus bons clientes e na busca de novos e saudáveis sócios.


Ricardo Coelho
Diretor da Ricardo Coelho Consult - Consultoria e Treinamento para Instituições Financeiras
Autor do livro: Repensando Banco de Varejo
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“Só o que muda, permanece” - Confúcio