Taxas e tarifas nas Singulares - Um cardápio para cada cidade

É incrível a habilidade e rapidez das grandes franquias de varejo ao adaptarem suas linhas de soluções aos valores sociais e comerciais de cada uma das centenas de micro-regiões onde atuam, inclusive em países distintos da sua origem. Isto tem muito a ver com a política comercial do Cooperativismo de Crédito. Estamos gradualmente crescendo de forma orgânica e por fusões, fazendo que uma mesma Singular concorra em vários municípios, estes cada vez mais longe das suas sedes, chegando a atingir outros estados. Este cenário se agrava, pois também abrimos novas agências em cidades com mais de quinhentos mil habitantes, onde cada grupo de bairros tem vida comercial própria, além do mercado financeiro massificado já estar maduro o concorrido, algo detalhado em nosso artigo: Singulares e a nossa baixa eficácia nos centros urbanos.

Conurbação: Neste cenário de agrupamentos populacional, não podemos nos esquecer do impacto comercial gerado pela conurbação, que é a fusão de uma ou mais “cidades” em uma única área metropolitana, de tal sorte que todos convivem, transacionando serviços e produtos, como se fossem um único agrupamento socioeconômico. Portanto, cada vez mais teremos que analisar uma área conurbada como se fosse uma só “cidade” e não analisar cada uma das cidades que a compõe. 

Proposta: Diante destas exposições de motivos, deveríamos considerar para a definição de nossas tabelas de taxas de juros e captação e de tarifas, a adoção da política comercial das grandes franquias onde define distintos produtos e preço para cada micro-região. Pois, independente do porte da Singular e da sua área de ação, ainda praticamos uma mesma rígida política comercial, como se ainda fossemos apenas uma discreta instituição restrita a micro grupo de pequenas cidades (ou nicho) onde nascemos. E a isto devemos acrescentar a variável tempo de inauguração de cada agência em seus restritos micro-mercados, ou sua expansão estatutária de público, pois quando mais tarde chegarmos, mais complexo será nossa evolução comercial. Portanto, se temos distintos concorrentes, culturas e valores socioeconômicos em cada praça delimitada por pequenas cidades, médias cidades, área conurbadas ou grandes bairros, é coerente que tenhamos distintas estratégias comerciais para cada um destes micros mundos.

Atenção: Às vezes, utilizando-se de artifícios criativos não tão formais, vemos pífios resultados comerciais em algumas Singulares que, de forma intempestiva, tentam corrigir estas suas imperfeições mercadológicas, adotando distintas taxas e tarifas para uma nova praça ou região.

Bancos como elefantes: Por serem grandes elefantes, os bancos ainda não viram a enorme oportunidade que teriam adotando a proposta aqui apresentada, na qual se resume na adoção seletiva de taxas de juros, taxas de captação e tarifas distintas para cada uma de suas “praças”, mesmo que este conceito seja ampliado para uma visão regional de unidades que concorrem em cenários próximos, permitindo que também tenham ações comerciais com benesses em praças onde desejam entrar ou avançar.

Neste contexto reforçamos sempre que as entidades acima das Singulares devem apenas orientá-las quanto a sua política comercial de suas filiadas, evitando defini-las, já que, além de ser algo pouco razoável mercadologicamente, mina o rico e competitivo preceito internalizado pela Singularidade. Se este diferencial for esquecido, nos transformaremos em um pequeno e sofrível banco.

Reflexões finais:
Uma pergunta fica deste assertivo artigo: Por que não analisar a hipótese de adotar uma política de taxas de juros e captação e/ou tarifas, por grupo de agências com um mesmo perfil, evitando engessá-los como se todas as agências concorressem em um mesmo cenário?

Se estas argumentações são coerentes, passemos a focar nossos esforços na busca da solução, e não gastemos energias com as tradicionais desculpas, como: não temos sistema, falta informação, ou mesmo alegar que todos os sócios devem ter o mesmo direito, o que não procede se a distinção aqui proposta for tratada por uma clara política comercial formalmente definida pelo Conselho de Administração, permitindo que sócios com perfis comerciais iguais possam ter soluções iguais. Algo mercadologicamente coerente frente aos novos tempos de turbulência que já se aproximam.

A coerência comercial não precede de sistema ou teorias, mas sim de agilidade, simplicidade e bom senso. Por sorte ainda somos pequenos. Saibamos aproveitar este enorme diferencial.
Concordar é secundário. Refletir é urgente.


Ricardo Coelho
Diretor da Ricardo Coelho Consult - Consultoria e Treinamento para Instituições Financeiras
Autor do livro: Repensando Banco de Varejo
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“Só o que muda, permanece” - Confúcio