Talão de Cheque - Risco de Imagem às Singulares

Credibilidade comercial e social frente à sociedade onde atua é o mais importante valor construído por uma Singular e cabe a seus executivos extremo zelo na sua edificação. Ocorre que um fato discreto e de extrema relevância mina esta credibilidade: a entrega de talão de cheque a clientes sem perfil ou cultura quanto ao seu saudável uso. Com o crescimento de cheques devolvidos em uma praça, a sociedade, potencializada pelos lojistas que tiveram perda por cheque sem fundos, irá rotular como temerária a instituição com maior volume de ocorrências. Julgam como pouco criteriosa na seleção de seus correntistas e esta fama se propaga rapidamente. Tanto que há anos atrás, devido ao alto índice de devolução de cheques de uma determinada instituição, uma grande Associação Comercial agiu de forma efetiva distribuindo a seus associados cópia ampliada do modelo deste cheque para que fosse fixado nos estabelecimentos comerciais. Nele havia os dizeres “Não Aceitamos”.

O volume de cheques cai principalmente nos grandes centros pelo amadurecimento do mercado frente ao avanço e segurança dos cartões de crédito e débito e da lei que reza que aceitar o cheque é uma prerrogativa do recebedor. Em cidades metropolitanas é quase impossível encontrar um estabelecimento comercial que o aceite, e as poucas folhas que usamos são para honrar serviços avulsos de terceiros como: médico, jardineiro, pintor, mecânico... . Reconhecemos que o cheque ainda é uma forte forma de pagamento nas pequenas cidades onde atuam muitas de nossas Singulares, mas em breve veremos nelas o crescimento dos meios eletrônicos de pagamento, seja pelo custo, agilidade, segurança ou pela legislação fiscal. Diante deste contexto, mesmo com os riscos e custos decorrentes dos caixas eletrônicos, devemos rever gradualmente a decisão de não termos esta solução em praças com média quantidade de sócios, pois este pode ser também um dos motivos do excesso de uso do talão de cheque.

Ressaltamos que há dois anos postamos em nosso site o artigo: Talão de Cheque – Complacente ou Defensável, para o qual aconselhamos uma atenta releitura. Contudo, diante da relevância do tema e da contextualização acima, resolvemos compartilhar novos subsídios para suavizar o risco de imagem da Singular e permitir o uso do seu precioso tempo em ações mais saudáveis.

Foco na educação e punição. Diante desta constatação de que as Singulares gastam muito tempo em processos decorrentes de cheques mal utilizados por clientes desregrados, propomos que sejamos pró-ativos, pontuais e formais em dois fortes momentos de entrega de talão. Na primeira entrega do talão e na entrega de talão a clientes com histórico conosco de mau uso do cheque (ex: alínea 11 - insuficiência de fundos – sem reapresentação). Sugerimos então a aplicação dos TERMOS DE CIENCIA abaixo, os quais devem ter o crivo de seu jurídico e quando assinado, arquivado no dossiê do cliente, visando mais força em ações formais e legais.

1º – TERMO DE CIENCIA INICIAL.  Seria aplicado quando da entrega do primeiro talão de cheque. A Resolução 3.518 determina que a concessão do talão é uma prerrogativa da Singular, portanto sugerimos que quando decidirmos dar o primeiro talão ao cliente (abertura ou no decorrer da conta corrente), seu titular assine um termo específico e direto quanto aos cuidados e regras para a sua utilização, contendo inclusive os motivos das possíveis suspensão do mesmo.

2º – TERMO DE CIENCIA CORRETIVA. Aplicado quando os gestores da Singular decidirem continuar entregando talão de cheque a clientes com sinais latentes de risco de crédito seja em dívidas ativas, adiantamento a depositantes (AD) ou com emissão cheque sem fundos (alínea 11). Caso entreguem talão a clientes com histórico recente na alínea 11, sugerimos atitudes assertivas fazendo-o assinar um termo claro das regras para a manutenção do talão e sua condição de associado. Com base neste, cria-se outros com foco em inadimplência, AD etc.

Atenção: O fato da praça aceitar muito bem nossos cheques, pode não ser por termos clientes de maior qualidade frente aos bancos concorrentes da praça, e sim por simplesmente optarmos pela não devolução de cheques sem fundos emitidos por nossos sócios, o que nos obriga acatar exageradamente e incoerentemente adiantamento a depositantes. Uma perigosa política.

Reflexão final: É missão dos nossos executivos fortalecer nossa Singular e blindar sua credibilidade. E para tanto, pequenos cuidados como os apresentados neste artigo, permitem-nos que sejamos ainda mais seletivos na busca e na manutenção de relacionamentos saudáveis.

Concordar é secundário. Refletir é urgente.


Ricardo Coelho
Diretor da Ricardo Coelho Consult - Consultoria e Treinamento para Instituições Financeiras
Autor do livro: Repensando Banco de Varejo
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“Só o que muda, permanece” - Confúcio